Mostrar mensagens com a etiqueta Diário de um divórcio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diário de um divórcio. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Diário de um divórcio # 6

Ontem foi dia de conhecer a casa nova do meu pai.
Desde de Janeiro, quando se separaram, o meu pai ficou hospedado no local onde trabalha, havia um género de suite disponível e ele foi ficando por lá enquanto orientava a vida dele - não trabalha em nenhum hotel, e espero que entendam não dizer onde é.
Aos bocadinhos foi levando coisas dele lá de casa: a aparelhagem, os cd's, a roupa, o relógio de sala, ferro de engomar e tábua, essas bullshits.
Aos bocadinhos fui-me habituando da saída dele, de já o ver todos os dias, de já não ter o carinho dele como tinha. Hoje em dia perguntam-me se gostava que ele voltasse e a resposta é rápida e negativa. Estou melhor assim, sem discussões, melhor com a minha mãe, mais leves, mais livres. Sinto falta dele, claro, mas as coisas estão melhores assim, não só para mim mas para todos.
A casa é pequena mas maneirinha, ainda tem um quarto por decorar e o dele já está pronto. Fez questão de dizer que é uma casa velha e "diferente". Eu percebi o significado de "diferente", ao contrário do meu irmão. É uma casa apagada, sem alma, sem identidade. Falta vida, falta cor, falta personalidade. Qualquer um podia viver ali e dizer "É a minha casa", não tem nada que se olhe à primeira vista e se diga que é a casa de x ou y.
Tenho pena, a minha casa é viva, é alegre, tem personalidade. Basta entrar em qualquer uma das divisões e qualquer um sabe o tipo de pessoa que passa lá mais tempo, em poucos segundos.
Só espero que ele consiga o mesmo. E que pelo caminho volte a ter os traços de personalidade que sempre lhe conheci, e hoje estão turvos.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Diário de um divórcio # 7

"Entra um pai numa loja de brinquedos infantis e pergunta ao vendedor novidadessobre o mundo da Barbie.



— O senhor tem muita sorte, acabaram de chegar 3 modelos novos da Barbie: a solteira, a casada e a divorciada.

— Qual a diferença entre eles? — pergunta o pai.

— Bom a solteira vem com um top, mini-saia e um par de saltos altos e custa 40€.
 A casada vem de tailleur e pasta, e vem acompanhada com um vestido de noite, custa 50€. 
 A divorciada custa  1.500€.

— Isto é um absurdo!! Como é que uma boneca pode custar tanto?

— Bom ... Pelos extras. Vem acompanhada da casa do Ken, da lancha do Ken, da casa de praia do Ken, do carro do Ken... "



Vendo o lado da ironia dá esboçar um sorriso igualmente irónico.
Cá em casa? Nada disso. Vamos ter de comprar a parte da casa do meu pai para não vender, não temos lanchas e afins, a casa de praia era alugada por uma ou duas semanas em tempos gordos, o carro de família ficou com o meu pai. 
Prefiro viver sem discussões, enquanto os bolsos estão mais vazios, mas sentir-me bem comigo mesma.

terça-feira, 27 de março de 2012

Diário de um divórcio # 4

Há uns dias houve a primeira reunião com a advogada para dar início ao processo de divórcio - burocracias e papelada, partilhas, dinheiro, direitos e deveres. 
Continua a ser difícil lidar com a situação, a falar nela e até a escrever. 

Este fim-de-semana trouxe-me aquilo que pedi em silêncio, mesmo sem saber - reforços.


Precisava o carinho dos meus avós. Vivem longe mas fazem de tudo para parecem mais perto, e é uma situação que os está a afectar (não só o divórcio mas também estarem longe). Mas vieram cá ter, vieram trazer toda a sua calma e sabedoria, a minha avó sempre com os melhores dotes culinários e o meu avô sempre com a calma e humor. Sentia tanta falta. A minha mãe arrebitou logo, não há nada como o conforto que os pais trazem e ela estava a precisar mais que qualquer pessoa. O puto também veio, está tão grande e na idade engraçada, em que tudo o que diz ou faz só dá para rir. 
Mas não foram só os avós, os amigos também marcaram bem este fim-de-semana. É certo que estamos muitas vezes juntos mas houve alguma diferente - estávamos todos mais soltos, mais engraçados, mais palhaços, mais divertidos, mais humorados, menos sérios, cheios de genica e sempre a abrir. Foi bom, comecei a noite a falar no assunto dos meus pais, e disse tanta coisa que o ambiente começou a ficar pesado, mas depressa se deu a volta e o resultado foi a animação de que falei. Sabe bem ter amigos assim, que eu sei que estão sempre cá para mim, que dão o ombro para chorar mas que também dão um abanão quando é preciso. Sábado foi mais caseiro, em frente a playstation com uns jogos de luta. Achava que não tinha jeito nenhum mas enganei-me, até tenho algum (e foram eles que disseram). Pelo menos ganhei algumas vezes. Sabe bem variar do habitual.

O melhor de tudo isto foi mesmo ser inesperado, não estarmos à espera. Foi espontâneo e era disto que eu estava a precisar. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Diário de um divórcio # 3

Este fim-de-semana andei ausente aqui do blog. Do meu e dos vossos. Já estou actualizada de tudo, mas houve um pedaço do meu sábado que ainda está a remoer.

Foi uma escapadinha para fora de Lisboa, mas agridoce. Foi a primeira viagem sem o meu pai, desde que se divorciaram. 
Os meus avós maternos e paternos moram na mesma zona, 5 minutos a pé de uma casa para outra. Os maternos já sabiam o que se passava, com bastantes pormenores. Os paternos não - sabiam que os meus pais estavam chateados, mas achavam que era um arrufo. a minha mãe achou que bastava de omitir e Sabádo foi a noite de visitas. 
A minha avó já não vai para nova, é bastante exagerada nas doenças. Nunca nos demos muito bem, mas a verdade é que é minha avó. O meu avô estava muito sério, de poucas conversas, no cadeirão do costume. Aos bocadinhos fomos contando o que se passa, a minha mãe lá derramou umas lágrimas, a minha avó chorou um rio autêntico, o meu avô sério. Também para o disse no fim mas valia não ter dito nada.
Na altura nem me apercebi. Ele disse, e mais que uma vez, que se o casamento acabou não foi por "falta de amor" Algo grave teria acontecido. Ou a minha mãe ou o meu pai. Bem, achei que fossem discussões. Mas só depois percebi. ele estava a insinuar que haveria traições. Fiquei a ferver por dentro, furiosa. Lá porque em tempos ele foi um fraldisqueiro cá em casa não tinha de ser igual. Malditas mentalidades retrógadas.
E lá está, agridoce. Doce pelas saudades, Agre pelas mentalidades.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Diário de um divórcio # 2

Acordei cheia de tosse e lembrei-me de quando tinha de tomar um espécime intragável de xarope, que o meu pai só dizia: 


"Abre a boca e fecha os olhos". Com doces idem. 


Tenho saudades. Tenho saudades, dele cá. Tenho saudades, destes carinhos. Tenho saudades, desta preocupação.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Diário de um divórcio # 1



Calma, não é o meu divórcio. Esta etiqueta serve para relatar o diário deste divórcio, fim de um casamento de 25 anos e 5 de namoro, nada menos que a relação dos meus pais.

                Há questões que podem ser evitadas durante dias, meses, anos e até décadas mas nunca para sempre. Este é o caso, e custa ainda mais por nunca me ter apercebido disso. Como em qualquer casal e família há discussões, de tempos em tempos - algumas pequenas e outros autênticos bombardeamentos. Sendo algo considerado “normal”, nunca me apercebi na diminuição de sentimentos nem nada que se pareça. Numa das discussões caiu o maior bombardeamento, qual Hiroshima e Nagasaki: Já não gosto de ti. Vai ser uma frase que não vai sair do meu pensamento, até hoje foi a frase que mais me marcou. A voz do meu pai faz eco nos meus sonhos ...

                Sempre fui uma menina mimada pelos meus pais, materialmente sempre tive tudo aquilo que queria, vivi em vários países e viajei, andei em boas escolas, estou na faculdade privada, uma família linda e dedicada mas sobretudo sempre tive todo o amor dos meus pais. Custa-me não ter o meu pai em casa, como sempre foi hábito. Custa-me não passear ao fim-de-semana com o pessoal cá de casa. Custa-me não jantar em família. Custa-me o Bom Dia e a Boa Noite, presencial. Custa.

              E só passou um mês, desde que porta se fechou e a minha família se destruíu.